quinta-feira, 24 de junho de 2010


A morte não é tudo, não é o final, eu apenas passei para a sala seguinte. nada aconteceu, tudo permaneceu exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntos permaneça intocada, imutável. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos. Me chame pelo antigo apelido familiar, fale de mim da maneira que sempre falou, não mude o tom, não use nenhum ar solene ou de dor, ria como sempre fizemos das piadas que desfrutamos juntos. Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim, deixe que meu nome seja uma palavra comum em casa, como foi, faça com que seja falado sem esforço, sem fantasma ou sombra, a vida continua ter o significado que sempre teve. Existe uma continuidade absoluta e inquebrável, o que é esta morte se não um acidente desprezível? porque ficarei esquecido se estiver fora do alcance da visão? estou simplesmente a sua espera, como num intervalo, bem próximo, na outra esquina, esta tudo bem.

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